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Brasil atinge 500 mil vítimas para o coronavírus: O texto que eu não queria escrever!

O Brasil atingiu a dolorosa marca de 500 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus, neste inesquecível e melancólico sábado, 19 de junho. Por mais que se trate de uma crise sanitária, nunca foi registrado um número tão alto de óbitos na história em tão pouco tempo. Este é um fato que eu definitivamente não queria relatar, porque dói e choca.

O país é o segundo no ranking mundial de óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos. Ademais, acumula o total de 13% das mortes por Covid-19 em todo o mundo, um número quatro vezes superior à média global, considerando que a população total brasileira é equivalente a 3% dentre os 193 países existentes. 

Mesmo que se leve em conta o número de mortes por milhão de habitantes, a colocação segue péssima já que estamos consolidados no top-10, atrás apenas de alguns países pequenos do leste Europeu, de acordo com divulgação da Universidade Johns Hopkins. 

Tentando olhar para o lado da solução (vacinas), o Brasil igualmente esbarra em outro dado negativo, uma vez que apenas 11% da população está totalmente imunizada (tomaram as duas doses) em seis meses de aplicação das vacinas. 

Mesmo que 29% dos brasileiros estão vacinados com uma dose, é pouco para o tanto de vidas que poderiam ser salvas se houvesse agilidade por parte do Governo para adquirir os antídotos outrora OFERECIDOS E NEGADOS inicialmente, bem como se houvesse o incentivo de ações não-farmacológicas e apoio assistencial (auxílio emergencial decente e ininterrupto) para proteger a população.

Como o Brasil chegou aos 500 mil óbitos? O número poderia ter sido menor?

Por consequência das medidas preventivas ignoradas, não há como não atrelar essas faltas principalmente ao Governo Federal na figura do Presidente Jair Bolsonaro, já que o representante máximo da nação propagou, desde o começo da pandemia, exatamente o contrário do que os principais órgãos de saúde do país e do mundo sugeriram. 

Seria coincidência o Brasil ser a segunda nação (longe da terceira colocada [Índia]) mais afetada com o mal maior do século e ter o único líder dentre as maiores potências que ainda insiste em menosprezar o vírus e suas gravidades, sem abaixar a guarda em momento algum? Será que se houvesse prudência desde o início, teríamos um número bem menos trágico e menos famílias brasileiras abaladas devido suas importantes perdas? 

A resposta é sim, óbvio! De acordo com estudo feito pelo professor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Pedro Hallal, e divulgado pela renomada revista britânica Lancet: 375 mil vidas poderiam ter sido salvas se o Brasil estivesse dentro da média mundial da pandemia. O estudo foi, inclusive, mencionado pela cientista Natália Pasternak em depoimento à CPI da Covid.

É claro também que se trata de um problema global, mas a cada nova aglomeração (das centenas) comandadas por Bolsonaro e a cada nova declaração (normalmente carregada de ataques à “esquerda”, ao “PT”, a “Lula”, ao STF e à “CPI e envolvidos”) inflama seus seguidores mais fiéis, levando os próprios a reverenciarem o mito sem se importarem se estão contribuindo para o agravamento da pandemia ou não. Segue uma simples amostra de algumas das mais reveladores declarações feitas pelo Presidente:

24/03/2020 – “Gripezinha”, “Graças ao meu histórico de Atleta”, “Verdadeira histeria”: 46 óbitos;

29/03/2020 – “Todos nós vamos morrer um dia”: 136 óbitos;

10/04/2020 – “Parece que está indo embora essa questão do vírus aí”: 1,2 mil óbitos

19/05/2020 – “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína” 18 mil óbitos

10/11/2020 – “O Brasil deveria deixar de ser um país de marica”. “Mais uma que o Bolsonaro ganha”: 162.829 óbitos;

04/03/2021: – “Chega de frescura, de mimimi”, “Vacina só se for na casa da sua mãe”: 259.271 óbitos;

15/05/2021: “Tem uns idiotas que até hoje ficam em casa”: 434.852 óbitos;

17062021: “Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina”: 496.004 óbitos;

Nunca houve tanta morte na história do Brasil

Nenhuma tragédia registrou tantas perdas no Brasil como o estrago devastador causado pela Covid-19. O país já passou por conflitos/guerras (internas e externas) acidentes, desastres naturais e até mesmo outras pandemias, mas nada se compara ao que essa geração está testemunhando.

Como exemplo, utilizamos os reflexos do coronavírus no maior município do país, São Paulo. O aumento de sepultamentos nos cinco primeiros meses de 2021 foi de 20,5% em relação ao mesmo período de 2020. E se comparado a 2019, o aumento é de 46%,  de acordo com os dados do Serviço Funerário da Prefeitura de São Paulo. 

Voltando ainda mais no tempo, a história não relata nada mais abissal do que as 500 mil vidas perdidas desde fevereiro de 2020, nem mesmo a maior crise sanitária vivida pelo mundo até então, a Gripe Espanhola, presente no país entre 1918-1920 e que deixou 35 mil mortos por aqui. De acordo com estudo da FGV, as autoridades da época já pediam à população que evitassem aglomerações, mesmo há 100 anos atrás. 

Nesse ínterim, nem mesmo grandes eventos como a Guerra do Paraguai (1864-1870), a Guerra dos Farrapos (1835-1845) ou a Guerra dos Canudos (1896-1897) sequer chegaram perto das vítimas feitas pela Covid-19. Poderíamos ter considerado o período da Ditadura Militar (1964-1985), mas como os dados ainda são imprecisos (434 corpos encontrados e confirmados segundo a Comissão Nacional da Verdade e aproximadamente 20 mil torturas de acordo com a Human Rights Watch), optamos por não inclui-los na lista (por enquanto).

Caso a comparação seja entre outra pandemia do XXI, a H1N1, a diferença entre o número de óbitos fica ainda mais colossal, já que a conhecida “Gripe Suína” vitimou 2.098 pessoas em seu primeiro ano (2009-2010), segundo dados do Ministério da Saúde. O vírus não propagou tanto como o coronavírus porque já havia uma vacina contra outro vírus influenza e foi uma questão de adaptar a vacina existente à nova variante até então.

Talvez, a única ocasião que se aproxime ao meio milhão de vidas perdidas para o vírus seja a aniquilação dos índios desde a chegada dos portugueses. No entanto, segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a população indígena em 1500 era de aproximadamente três milhões, e em 1650 o número já havia caído para 700 mil indígenas, ou seja, em 150 anos foram ceifadas as vidas de 2,3 milhões de índios, o que torna de longe o coronavírus proporcionalmente mais letal. 

Este é definitivamente o texto que eu não queria escrever! 

Veja algumas das maiores e principais tragédias do Brasil antes do coronavírus

  • Guerra do Paraguai (1864-1870) – 50 mil óbitos (brasileiros)
Ilustração de 1868 retrata os cenários de batalha durante a Guerra do Paraguai
  • Gripe Espanhola (1918-1919) – 35 mil óbitos
  • Guerra dos Farrapos (1835-1845) – 30 mil óbitos
Em setembro de 1836, os farrapos declararam a separação do Rio Grande do Sul do Brasil e a fundação da República de Piratini. [1]
  • Guerra dos Canudos (1896-1897) – 25 mil óbitos
Imagem que retrata a Guerra de Canudos publicada na Revista Don Quixote (1897)
  • Guerra da Cisplatina  (1825-1828) – 8 mil óbitos (brasileiros)
Pintura de Juan Manuel Blanes retratando os 33 orientais, o grupo que declarou a separação da Cisplatina do Brasil e sua vinculação com Buenos Aires.*

H1N1 – Gripe Suína (2009-2010) – 2.098 óbitos 

  • Chuva e deslizamento na região serrana do Rio de Janeiro (2011) – 917 mortos
  • Incêndio no Gran Circus Norte-Americano (1961) – 503 mortos

2 thoughts on “Brasil atinge 500 mil vítimas para o coronavírus: O texto que eu não queria escrever!”

  1. Ana Paula Cardoso

    O que estamos colhendo nos mostra como esse desgoverno é cruel. Parece-me que a intenção é alcançar números maiores em mortes mesmo. Afinal, em algo, eles precisam ser “os melhores”; nem que seja em assassinato.

  2. FLAVIO SARMENTO BARBOZA

    Um texto que nos lembra da tragédia que é esse número de mortes, para nós lembrar o alto valor da vida… Parabéns, mano!

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