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E o Voto, vai para quem?

Brasil. 7 de Setembro de 2022. Véspera de eleição. Aqui estou mais um texto sob o olhar apreensivo de quem cria. Não, essa não é uma abordagem ideológica, pelo contrário, buscarei aqui a isenção do começo ao meio deste conteúdo, já que entendo ser impossível ficar morno em momento tão quente pelo qual atravessa o país. 

As eleições de outubro têm características jamais testemunhadas em nossa (“recente”) história democrática. Tratam-se de elementos capazes de transformar o rumo da nação pau-brasileira (alerta de neologismo proposital!) seja para o progresso, seja para o regresso, desconsiderando fervorosamente alguma possibilidade de estagnação para os próximos quatro (quiçá oito, nove, dez…) anos. 

Nesta data em que o Brasil completa 200 anos de independência (escrevi especificamente sobre o Descobrimento aqui no site), ansiamos clima de expectativa já que no dia 2 de outubro…de 2022, oito horas da manhã… começam oficialmente as eleições para Governador, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e, claro, a mais importante: Presidente da República.

Deste modo, jamais antes foram confrontados nas urnas um ex-presidente e um atual disputando o cargo mais importante do executivo. Falo de Lula e Bolsonaro. E jamais houve na nova era democrática uma polarização tão acalorada dada às questões que envolvem os dois principais candidatos à presidência. E muito se deve à era digital que põe frente à frente eleitores disseminando apoio político para seu candidato favorito. Vamos a alguns contrapontos, não sob o olhar sanguinário do vigia, sem ataques, apenas ponderações. 

O ex que quer voltar

Luiz Inácio Lula da Silva governou o Brasil por dois mandatos (2003-2011). De acordo com o Ibope, em pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), Lula atingiu 87% de aprovação ao final de seu mandato. Inquestionavelmente, ele soube aproveitar a onda que favorecia o cenário brasileiro e adotou políticas que, dentre outras vantagens, tiraram o Brasil do mapa da fome, segundo apontou a ONU.

Por outro lado, Lula chegou a ser condenado nas três instâncias sob acusação de corrupção no caso conhecido como Lava Jato que envolvia tanto o sítio de Atibaia como o Triplex do Guarujá e cerca de R$44 bi desviados (fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43432053). A condenação, feita pelo então juiz Sérgio Moro (TRF4), levou o ex à condenação em 5 de abril de 2018. 

Mesmo tendo sua liberdade declarada 580 dias depois pelo ministro Edson Fachin com alegação da defesa de que houve parcialidade por parte de Moro e de que a condenação deveria ter sido feita na esfera federal e não pela vara da 4a. região, o líder do Partido dos Trabalhadores teve sua prisão cancelada e não foi inocentado do caso. 

Além do mais, o sindicalista é apontado pela oposição como o chefe da maior corrupção até então declarada no país, já que a ação culminou em outras mais de cem prisões e rios de dinheiros que vazaram pelo cano. A ação comprometeu o nome do seu partido (PT) e inflamou a faísca que alimenta o outro polo.

O atual que não quer deixar de ser

Já o presidente Jair Messias Bolsonaro, representante máximo da república desde 1 de janeiro de 2018, encarou no meio do seu mandato algo que o mundo não vivia há 100 anos (desde a gripe espanhola): A pandemia do coronavírus. E com certeza o caos causado pelo vírus foi global e não teria como o Brasil não ser duramente afetado, já que todos os demais países foram. 

Contudo, como a pandemia transformou o mundo em que vivemos e foi a maior pauta durante seu governo, Bolsonaro não fez tudo o que pôde para evitar que milhares de brasileiros não perdessem suas vidas precocemente em decorrência do coronavírus. Rolou até a CPI (seriado que zerei do começo ao fim, mas não está na Netflix) na qual foi apontado que houve três recusas para a compra da vacina Pfizer e um atraso absurdo para aderi-la.

Lamentavelmente, o Brasil acumula mais de 684 mil mortes para a Covid (sim, ninguém mais fala sobre isso, eu sei. Mas quem perdeu algum ente jamais esquecerá!) e isso representa 13% das mortes de todo o mundo e considerando que o Brasil possui 3% da população mundial, a conta não fecha. O professor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Pedro Hallal, publicou um estudo na revista britânica Lancet apontando que 375 mil vidas poderiam ter sido salvas se a compra da vacina tivesse sido aderida imediatamente e então o Brasil estaria dentro da média mundial de óbitos pela pandemia.

Isso sem contar que o país voltou ao mapa da fome (4,1%), bateu recorde negativo da maior queda do PIB em um trimestre (-9.6% no segundo trimestre de 2020: IBGE), bateu recorde de desmatamento na Amazônia no primeiro semestre de 2022 (4 mil quilômetros quadrados de floresta destruída: INPE) e ofertou auxílio emergencial de R$200 em abril de 2020, mas a câmara dos deputados triplicou para R$600. Além do mais, Bolsonaro chegou a declarar algumas vezes que somente Deus é capaz de tirá-lo da cadeira presidencial. 

Dicotomia entre os dois mundos

Bem, ponderados esses pontos (sem mirar uma HK na cabeça de ninguém): um lado declara que sua bandeira jamais será vermelha e usa discurso com ataques pejorativos chamando os opositores políticos de “esquerdopatas, comunistas, esquerdistas, petistas (como se todos do espectro progressista fossem petistas), chamam o presidente de ladrão” e afins. Já o outro, brada títulos ao atual presidente e seguidores como “bolsominions, reaças, fascistas, chamam o presidente genocida”, e assim está implantada a discórdia. 

O ponto que quero chegar aqui é que boa parte de ambos os lados alimentam essa polarização na base do ataque. Não precisa de estudos aprofundados para saber o quão desconfortável é discutir política com pessoas que não são tão íntimas assim, seja com familiar, no transporte, no trabalho, na rua, sei lá, tanto faz, os rumores são iguais. Mas não dá mais para ver o dia passar, as eleições estão aí e matar o tempo não vai ajudar a resolver a situação do Brasil. 

Seja qual for o espectro que você está, o de direita ou de esquerda, por favor: seja tolerante! Alerto para a tolerância porque é iminente a escassez dela, uma vez que testemunhamos diariamente pessoas perdendo amizades, outras ameaçando desconhecidos, agredindo e até matando porque fulano vota em beltrano ou apoia cicrano. Viver mais quatro anos nessa tensão não vai ajudar no progresso da nação e faltam só três semanas e umas horas para a hora do voto. 

E o voto, vai para quem? 

O voto é secreto, eu sei. Também estou ciente de que o mundo roda, ele pode vir pra cá. Mas tenho meus motivos para não votar em nenhum desses dois candidatos. Além dos pontos já citados aqui, há algumas questões mais particulares para não estar no meio desse fogo cruzado. Mas uma coisa tenho que admitir e com o máximo de respeito: lealdade é o que todo político tenta, e esses dois aí cativaram suas legiões que não abrem mão deles por nada. 

Começo esse complemento declarando que não voto em Jair Bolsonaro porque não consigo acreditar que uma pessoa que faz arminha com a mão simulando o ratatatá seja alguém sério ao ponto de governar uma nação. Além do mais, ele já declarou ser a favor da guerra civil no Brasil, defendeu um torturador dentro do Congresso Nacional, traiu boa parte dos seus fiéis seguidores e se mostra ignorante (estou falando só no sentido de falta de conhecimento, tá ok?) sempre quando questionado sobre economia.

Já no Lula não voto por achar que o tempo dele já passou. Levou o Brasil à bonanza, resgatando principalmente para os mais necessitados o salmo 23. No entanto, errou ao insistir na Dilma para o segundo turno de 2014, enrolou-se em alguns casos de corrupção (já mencionados), e não menos importante, deixou sua ganância comprometer as eleições de 2018 não abrindo mão da candidatura e, depois de preso às vésperas das eleições, articulou forçando a candidatura de Fernando Haddad à presidência daquele ano ao invés de tentar alguma união/coligação. Foi essa estratégia equivocada que ascendeu a labareda Bolsonaro e eclodiu de vez essa guerra entre o verde e amarelo contra o vermelho que assistimos hoje. 

Dentre as outras principais opções de voto aos presidenciáveis de acordo com as pesquisas de intenção de voto estão: Simone Tebet (apareceu na CPI da Covid e cresceu após o debate da Band), Felipe D’Ávila e Ciro Gomes. E o tanto que tenho assistido, lido e apurado sobre o último citado, eu não tenho o porquê ao menos pagar para ver o que esse cara tem a fazer pelo Brasil. Votar no Ciro pode ser abrir uma bomba de gás lacrimogêneo no próprio colo, mas é um preço que preciso pagar já que não estamos num zoológico. 

Para chegar a essa conclusão, assisti a quatro programas Roda Viva inteiros com o candidato, sendo o primeiro em 1991 quando Ciro havia se tornado o mais jovem governador (Ceará) a ser eleito no Brasil com 33 anos, e o último programa que acompanhei foi há três semanas já como presidenciável para 2022. Além disso, li o livro Projeto Nacional: O Dever da Esperança que ganhei de presente de um amigo e os argumentos dele, bem como seu projeto de governo me soam bem convincentes. E como ele próprio já disse, caso não haja outro jeito e o segundo turno seja mantido com a polarização que está aí, o Lula ao menos é do campo democrático. 

Não tenho a intenção aqui de ser Robocop de candidato algum, igualmente estou correndo de fazer campanha para o Ciro e, por isso, não vou me alongar apontando suas propostas de melhorias para o Brasil, mas sugiro que ao menos pesquise. Outrossim, julguei necessário manifestar essa visão porque sonhei com isso noite passada e enquanto não tirasse esses pensamentos simplórios dos miolos, não ficaria em paz. Mas quem vai acreditar em meu depoimento? Aqui um cidadão, dia 7 de setembro.

Obs: este texto contém referências da música Diário de um detento dos Racionais MC’s.

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