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Exclusiva com Belletti: “No futebol mais se perde do que se ganha”

Campeão da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira em 2002 e da Champions League com o Barcelona em 2006, o lateral Juliano Belletti certamente é um dos atletas mais bem sucedidos do futebol. Vencedor em todos os clubes pelos quais jogou, pondera os altos e baixos do futebol e declara que “a não ser Cristiano Ronaldo e Messi, todos os outros mais perdem do que ganham.”

Apesar da declaração um tanto modesta, Belletti é um dos maiores vencedores da história do esporte, já que conquistou 22 títulos enquanto jogador profissional. Atualmente, o paranaense é diretor de negócios internacionais do Cruzeiro (clube que o revelou), embaixador global do Barcelona, palestrante e CEO da rede de franquias Belletti Soccer.

Conheça agora a carreira deste ícone do esporte e veja as suas declarações e visão crítica sobre seus feitos revelados por ele próprio em entrevista exclusiva.

Início de carreira 

Nosso personagem saiu de Cascavel, no Paraná, para tentar a sorte em Minas Gerais, nas categorias de base do Cruzeiro. A aposta deu mais do que certo. Já na sua segunda temporada como profissional, Belletti foi campeão da Copa Master da Supercopa e da Copa Ouro de 1995. No ano seguinte, viria mais dois títulos importantes para seu o currículo: a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro.

As boas atuações do polivalente jogador (que durante a carreira também foi volante e meio-campista) já chamava a atenção de diversos clubes brasileiros. Assim sendo, em 1996, Belletti se transferiu ao São Paulo, por conseguinte, teve uma nova sucessão de conquistas na sólida trajetória. No tricolor paulista, ele participou das vitórias da Copa dos Campeões Mundiais (1996), de dois Campeonatos Paulista (1998 e 2000), da Supercampeonato Paulista (2002) e do extinto torneio Rio-São Paulo (2001). Nesse ínterim, foi emprestado ao Atlético Mineiro e conquistou mais um Campeonato Mineiro (1999) para somar.

Contudo, houve aí uma derrota que até hoje o torcedor são-paulino amargura: a final da Copa do Brasil de 2000. Naquela ocasião, o Cruzeiro venceu o São Paulo de virada no Mineirão por 2 a 1 com um gol de falta cobrada aos 45’ do segundo tempo por Giovanni. Um empate teria bastado para o clube paulista ser campeão, mas a raposa não permitiu. Ao ser questionado sobre ter perdido aquela final, Belletti diz que foi dolorido, mas que “aquela derrota faz parte do futebol.”

Campeão da Copa do Mundo e da Chapions League

Depois de tantos feitos importantes, eis que chegou o grande momento da carreira: Belletti foi pentacampeão com a Seleção Brasileira. O que mais poderia querer aquele jovem que saiu do interior do Paraná ao conquistar o mundo? Ah, ele ainda queria mais, pois suas ganas eram típicas daqueles jogadores incansáveis na busca por títulos.

Não bastasse ter sido campeão Mundial com o Brasil em 2002, quatro anos depois o lateral fez história ao marcar o gol do título da Liga dos Campeões pelo Barcelona em 2006 sobre o Arsenal; partida na qual o Barça ganhou de 2 a 1 dos ingleses. Sobre a diferença entre as duas glórias, o ex-jogador foi bem categórico:

“A Copa do Mundo a nível coletivo foi melhor. Afinal, menos de 100 jogadores foram campeões pela Seleção Brasileira. A emoção de ter trazido alegria e algo importante para uma nação inteira foi incrível. Já individualmente, a Champions é muito especial porque eu fiz o gol que deu a segunda taça ao Barcelona. Ser protagonista e participar ativamente do título nunca havia acontecido comigo.”

Sua conclusão no discurso pode resumir bem esses sentimentos, tanto o de ser campeão da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira como vencer a Champions League (feito para raros, diga-se de passagem): “Foram sensações diferentes, mas duas conquistas absolutamente extraordinárias.”

Carreira na Europa

Após vencer a Copa de 2002, sua ida à Europa foi iminente. Primeiramente foi defender o Villarreal, de 2002 a 2004, onde ganhou a Copa Intertoto da UEFA (2003). Ao se destacar, chamou a atenção do gigante Barcelona que o levou à Catalunha, local pelo qual permaneceu por três temporadas e conquistou cinco títulos. Além da Liga dos Campeões, foram somados à galeria do jogador mais dois Campeonatos Espanhol (2004-05 e 2005-06) e o bicampeonato da Supercopa da Espanha (2005 e 2006).

Depois de pintar e bordar em terras ibéricas, posteriormente era hora de respirar ares saxões. Belletti foi contratado pelo Chelsea em 2007, atuando até 2010. Foi lá que o vitorioso profissional sentiu a maior dor de perder uma competição.

“Eu perdi a final da Champions League contra o Manchester United nos pênaltis. Essa derrota doeu muito porque seria minha segunda Champions. Se já é complicado ganhar uma, imagina ter a sensação de haver ganhado duas?!”

Ele se referiu à Liga dos Campeões de 2007-08, em que o Chelsea perdeu nos pênaltis para o rival inglês. “Tínhamos o melhor time e vivíamos o melhor momento, mas no último pênalti meu capitão John Terry escorregou e errou a última cobrança. Daí foi para a fase de quem errar perde, e o Manchester ganhou”, lamentou.

A orelhuda não veio enquanto jogava nos blues, mas só para não perder o costume, vieram mais títulos para a conta com a camisa do Chelsea. Foram eles: duas Copas da Inglaterra (2008-09 e 2009-10), uma Supercopa da Inglaterra (2009) e uma Premier League (2009-10).

Retorno ao Brasil 

Depois de uma carreira brilhante no velho continente, Belletti retornou ao Brasil. De tão pé quente, mal sabia que em seu regresso conquistaria mais um título importante para agregar à gloriosa carreira. Em 2010, vestiu a camisa do Fluminense e angariou o troféu do Campeonato Brasileiro daquele mesmo ano.

O predestinado em questão jogou no tricolor das Laranjeiras até 2011, encerrando sua carreira no clube carioca. Ele chegou a ser anunciado pelo Ceará, mas acabou desistindo de seguir jogando com a alegação de que “o corpo já não deixava”.

Hoje Juliano Belletti é executivo e se divide em diversas funções, sendo as mais notáveis a de embaixador oficial do Barcelona e diretor do Cruzeiro. Se no futebol “mais se perde do que ganha”, podemos concluir que Belletti é uma daquelas “exceções à regra”, já que conquistou “apenas” 22 títulos oficiais em 17 anos de carreira. Dentre eles, nada menos do que a tão sonhada Copa do Mundo e a cobiçada Liga do Campeões. 

Entrevista concedida no Museu do Futebol e publicada no portal Esportudo.com em 31/05/2018.

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