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Marcelinho Carioca: Meu gol mais importante foi no Veloso

Quando o assunto é Corinthians e seus feitos e tradições, já se espera em algum momento que a discussão chegará ao nome de Marcelinho Carioca. Isso porque o Pé-de-anjo é, inquestionavelmente, um dos maiores ídolos da história do Timão.

Desse modo, o atleta que fez história com o Timão entre meados dos anos 90’ e 2000’ é respeitado até hoje pelos feitos com o manto alvinegro, principalmente nas campanhas que renderam ao clube paulista os títulos da Copa do Brasil de 1995, do bicampeonato Brasileiro de 1998 e 1999, bem como do Mundial de Clubes FIFA 2000.

Dentre tantas façanhas, o exímio cobrador de faltas nos revelou com exclusividade que sou gol mais importante foi quando o Veloso, do Palmeiras, não pediu barreira. A entrevista foi concedida na loja Poderoso Timão do São Bernardo Plaza Shopping (São Bernardo do Campo – SP), em cobertura para o portal Esportudo.

Relembre a trajetória de um dos grandes nomes do futebol brasileiro de todos os tempos e confira algumas revelações feitas pelo craque da camisa 7.

O início da carreira de Marcelinho Carioca

Marcelo Pereira Surcin foi um daqueles casos predestinados onde o craque já é reconhecido desde cedo. O meia foi descoberto pelo Flamengo quando atuava em competições juvenis pelo Madureira, clube suburbano do Rio de Janeiro.

Sua estreia no Rubro-Negro já dava indícios de se tratar de um jogador diferenciado. Marcelinho entrou em campo como profissional pela primeira vez aos 16 anos de idade. Tratava-se de um Fla-Flu no Maracanã, noite do dia 27 de março de 1988, diante de 70.132 pessoas.

Não bastasse este cenário espantoso para uma estreia, ele entrava em campo para substituir ninguém menos do que Zico. Além disso, sua entrada foi promovida por um dos maiores treinadores da história do país: Tele Santana. Por cima, viu seu time vencer um grande rival por 1 a 0 em seu debute. Tinha como um contexto desse não revelar um grande craque?

Transferência do Flamengo ao Corinthians

No Flamengo, Marcelinho teve uma trajetória respeitável. Ademais, atuou na Gávea de 1988 a 1993, participando diretamente de conquistas importantes. Seus principais títulos no Rubro-Negro foram o Campeonato Brasileiro (1992), a Copa do Brasil (1990), como também o Campeonato Carioca (1991).

Apesar de ser considerado importante para a equipe, foi surpreendido com o anúncio da sua saída. O jogador teria sido vendido para cobrir as despesas do time, no final da temporada de 1993. Contrariado com a decisão, mal sabia ele que se tornaria ídolo em outro clube brasileiro de massa depois daquela transferência.

Em 1994, então, Marcelinho chega ao Corinthians e tem agregado ao seu nome o ‘Carioca’, para diferenciá-lo de outro Marcelinho do elenco. Em seu primeiro gol com a nova camisa, já deixou claro qual seria sua marca registrada no novo time: as cobranças de falta. Foi assim que marcou contra a Portuguesa, pelo estadual, e não parou mais.

Contudo, Marcelinho Carioca revela que seu gol mais importante pelo clube paulista foi sobre o maior rival:

“O gol mais importante foi meu primeiro gol em cima do Palmeira em 1995, quando o Veloso não pediu barreira. Esse foi o mais importante porque foi em cima do maior rival!”.

Esse gol aconteceu em partida válida pelo Campeonato Paulista, no Pacaembu. O Corinthians venceu de virada por 2 a 1, com dois gols do meia. Roberto Carlos havia marcado para o Palmeiras.

Entretanto, relembra outro gol histórico marcado na mesma temporada. “Tem também o gol da Copa do Brasil, o gol do título que ficou cravado na história.”, complementou. Esse gol, por sua vez, foi marcado no Estádio Olímpico, contra o Grêmio. Na ocasião, o Corinthians venceu a partida por 1 a 0 e garantiu o título da Copa do Brasil de 1995.

Da ida à Europa ao retorno para o Parque São Jorge

Depois de tanto brilhar com a camisa do alvinegro, a joia corintiana foi vendida ao Valencia por US$7 milhões, em 1997. Mesmo sua transferência à Espanha tendo sido por um valor bem alto para a época, Marcelinho não se adaptou ao clube espanhol e decidiu voltar.

Posteriormente, o já ídolo retornou ao Parque São Jorge para continuar ‘mitando’ com a camisa 7. Em sua segunda passagem, de 1998 a 2001, conquistou os Campeonatos Brasileiro de 1998 e 1999, bem como os Paulistas de 1999 e 2001. Além desses, soma-se o emblemático Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, símbolo de uma das gerações mais vitoriosas do Timão.

Nesse hiato, somando a Copa do Brasil (1995), os dois títulos Paulista (1995 e 1997), mais a Copa Bandeirantes (1994) e o Troféu Ramón de Carranza (1996), todos da primeira passagem, e ainda acrescentando os títulos conquistados após seu retorno, Marcelinho Carioca é o jogador que mais acumulou títulos pelo Corinthians.

Ou seja, ele foi o único a somar 10 troféus pelo profissional do clube, sendo decisivo e protagonista em todos eles. Sem dúvidas, esses feitos o credência como um ícone na história de um dos maiores do Brasil.

Perguntado sobre tal representatividade para o torcedor corintiano, o craque revela seus sentimentos.

“Sinto-me feliz e honrado. Isso é resultado de um trabalho muito bem feito. A gente procurou isso a todo instante, e hoje de norte a sul, de leste a oeste, tivemos o reconhecimento e o carinho de todos!”.

Outros clubes e o final da carreira de carreira

Apesar de tantos feitos pelo alvinegro neste período, todavia a torcida teve dificuldade de digerir alguns outros perdidos. Entre eles estão as duas eliminações seguidas pelo arquirrival Palmeiras na Libertadores, em 1999 e 2000. Ambas a eliminações foram decididas nos pênaltis.

Dessa maneira, a derrota do ano de 2000 ficou marcada pela defesa de Marcos sobre a penalidade cobrada por Marcelinho. Era a última penalidade. No entanto, a defesa do goleiro palmeirense deu a classificação à final para o alviverde da capital.

Sem contar a indigesta derrota para o Grêmio na final da Copa do Brasil de 2001, rodeada de polêmicas envolvendo, inclusive, o técnico Vanderlei Luxemburgo. Os corintianos empataram o primeiro jogo da final em Porto Alegre por 2 a 2, perdendo a final em São Paulo por 3 a 1.

Mesmo conquistando o título Mundial em 2000, assim como o Paulista em 2001, Marcelinho transferiu-se para o Santos em 2001. Desde então, jogou em outros clubes brasileiros e outras ligas pelo mundo.

Em 2002, defendeu o Gamba Osaka, do Japão. Já em 2003, volto ao Rio de Janeiro, porém, para defender o Vasco desta vez. Em seguida, jogou no Al Nassr da Arábia Saudita. Do mesmo modo foi à França defender o Ajaccio, em 2004. Regressou ao Brasil em 2005 para atuar pelo Brasiliense.

Em 2006, portanto, voltou ao Corinthians. Por conseguinte, o técnico Emerson Leão pediu sua saída do time. Em virtude disso, Marcelinho Carioca faria sua última transferência, conduzindo sua carreira à aposentadoria.

Assim sendo, ele atuou pelo Santo André de 2007 a 2009. Na equipe do ABC paulista, o Pé-de-anjo também fez história ajudando o Ramalhão a chegar na Série A do Campeonato Brasileiro, em 2008. Por outro lado, também esteve presente no descenso de 2009.

Seleção Brasileira

Desempenhando futebol em alto nível na maior parte da carreira, Marcelinho fez uma declaração no programa Bem Amigos, dos canais Sportv, exibido em julho de 2017, sobre seu potencial não ter sido aproveitado pela Seleção Brasileira.

“Eu poderia ter estado nos grupos das Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2002. Eu acho que quando você conquistar a Bola de Prata e a Bola de Ouro, é sinal de que o seu trabalho é diferenciado. Mas eu acho também que eu fui o grande precursor por deixar as pessoas em dúvida”, finalizou o craque fazendo referência às possíveis polêmicas das quais se envolveu durante sua trajetória.

Mesmo com todo sucesso no Corinthians, o meio-campista não conseguiu se firmar com a Amarelinha. Foram apenas quatro jogos e dois gols. E um deles, como foi? De falta, claro! A vítima foi a Iugoslávia em falta cobrada no bico esquerdo da área, em 1998, logo após a Copa da França.

A despedida

Em respeito a bela e vitoriosa história, Marcelinho Carioca foi convidado para ser embaixador do Corinthians em 2010. Isso porque seria o ano do centenário, e a joia da fiel seria o personagem ideal para representar a instituição neste marco. O convite foi feito em consequência do anúncio de sua aposentadoria do Santo André.

Outrossim, participou de alguns amistosos com o manto corintiano. Sobretudo, foi no dia 13 de janeiro de 2010 que fez sua despedida oficial dos gramados pelo Timão, no Pacaembu, com o número 100 estampado na camisa. Em suma, dando números totais das vezes que vestiu a “segunda pele”, foram quatro passagens, 433 jogos e 206 gols, consolidando-se como o quinto maior artilheiro da equipe paulista.

Para finalizar, o ídolo do Corinthians descreveu como é ser uma referência de atleta profissional em um dos maiores times do Brasil. “Para ser um atleta profissional de futebol, requer sacrifício e perseverança. A dificuldade de você se tornar um ídolo, uma referência, é a cada ano, porque você pega clássicos, decisões e você ter que ser decisivo. E isso é uma grande batalha!”, concluiu a joia corintiana.

Entrevista concedida e publicada pelo portal Esportudo em 19/07/18

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